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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Penumbra


Passados 380 dias de penumbra eu já não sabia mais o que era real, surreal ou ilusão.

Com os olhos entre-abertos, semi-conscientes, minha mente pairava entre mundos indefinidos. Na impetuosa batalha do dia a dia, a entrega de corpo e alma à guerra tornou-se mais relevante do que a causa e seus próprios fins. Lutar por lutar, rechaçando o nada, em um mundo ilusório, perseverando incansavelmente na busca por uma quase inatingível e volátil vitória, ocultando um abismo no espaço.

O ser interior urge pela vida, nas entrelinhas do implacável espaço-tempo, onde a nossa instância só consegue avançar em rumo à entropia. Nessa jornada sem volta somos sucessivamente convidados pelo inconsciente a penetrar em um suposto universo de sonhos e perfeição, contrapondo-se ao medíocre modelo virtual da realidade.

Somos inseridos em uma conjuntura hermética, trancados em celas invisíveis que nos fazem subsistir e sobreviver, alimentados por conta-gotas de pequenos prazeres e inspirações, sempre na expectativa de um futuro idealizado. E assim o tempo passa, a vida passa, e o sistema permanece vivo e nutrido.

Permanecer na penumbra dói menos, mas perde-se a consciência do verdadeiro eu, não linear, insólito, irreverente, criativo, que anseia pela vida.

Para migrar entre mundos é necessário romper as correntes e conectores que nos prendem e programam a mente com regras, dogmas, axiomas e paradigmas, libertando-nos para uma nova perspectiva de existência. A forma e duração deste processo depende de cada um.

A interface entre as duas perspectivas é uma barreira aparentemente impenetrável. É como se um indivíduo em quarto aquecido, protegido de um duro inverno tivesse que mergulhar no lago congelado. Mas cada um tem o seu tempo, ou até mesmo a possibilidade de voltar atrás enquanto for possível.

Findados os tempos de penumbra, resolvi tentar. Do meu jeito, no meu tempo.




“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” 

“Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados.” 

~Mahatma Gandhi

domingo, 21 de junho de 2015

Carpe Diem

De repente parece que o tempo parou. A poeira se assentou e de certa forma procurei bloquear o forte vento que batia nas janelas para evitar o retorno ao caos.

Na verdade o que é o caos ? As posições relativas dos objetos geram interpretações que diferem de acordo com quem os observa. Para uns pode parecer caótico, enquanto para outros harmonia.

O ser humano é capaz de adaptar-se a contextos desfavoráveis, porém de alguma forma aquilo irá ferí-lo internamente. Tais feridas geram marcas, muitas vezes difíceis de apagar. O nosso maior inimigo é o tempo. Na verdade tudo passa, os bons e maus momentos, a alegria e a tristeza, a possibilidade e vitalidade para realizar aquilo que sonhamos, e enfim, a própria vida.

Viver ou não viver ? Grande parte das pessoas optam por não viver. Tal decisão nem é consciente. Estamos sempre atrelados a diversos aspectos que nos prendem ao contexto em que vivemos. Mudar é sempre algo à princípio muito difícil, principalmente quando afeta pessoas, ou a nossa rotina estabelecida.

Se o indivíduo procurar ouvir ao seu Eu interior, sem preconceitos ou defesas, com total sinceridade para si mesmo, irá começar a compreender a si próprio. Quando a vida parecer que corre no tempo, passando rapidamente diante dos olhos, e de repente olha-se para trás e percebe-se que quase nada ocorreu, significa que ela não foi vivida intensamente como deveria ser.

Embora muitas vezes nem cheguemos a perceber, o universo conspira em nosso favor através de acontecimentos ou estímulos. Temos apenas que acreditar com energia positiva na perspectiva de um futuro melhor. Quando estamos perdidos em um mundo preto e branco ele sempre nos mostra opções. De repente, quando se menos espera pode surgir diante de você algo que traga cores à sua vida. Porém cabe a cada um decidir o seu próprio caminho. Ninguém pode defini-lo por nós mesmos.


~ Carpe Diem! ~


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Poesias - Índice



Poesias escritas até a presente data neste blog:


As Trilhas dos Sonhos

A Viagem

A Chama

Um Novo Caminho

Velho Mundo Novo

Inverno

O Sonho


"Se você treinar para ser uma ficção por algum tempo, compreenderá que os personagens de ficção às vezes são mais reais do que pessoas de carne e osso e corações pulsando."

"Cada pessoa, todos os fatos de sua vida ali estão porque você os pos ali. O que fazer com eles cabe a você resolver."

"Viva de modo a nunca se arrepender se algo que você faça ou diga for publicado pelo mundo afora - mesmo que o que for publicado não seja verdade."

"Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles. Você está sempre livre para mudar de ideia e escolher um futuro ou um passado diferentes."

"Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade; sente um impulso... é para este lugar que devo ir agora. mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá quando se erguer o suficiente para ver alem dos horizontes."

"Eis aqui um teste para verificar se a sua missão na terra está cumprida; se voce está vivo, não está."

~Ilusões - Richard Bach

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Miragens


Mar da Noite (pt.1)
Em Busca da Luz (prev. - pt.7)

O sol reinava nos céus. Seus intensos raios de luz transpassavam as nuvens esparsas e atingiam o solo impiedosamente. O vento batia forte, mas a sensação de calor era extrema.

Caminhava descalço pelas areias do deserto. Estava com fome, sede, respirando com dificuldade devido ao ar abafado. Meu corpo queimava, cansado, mas continuava andando, sem destino, fugindo do marasmo do dia a dia.

O cansaço pedia que sentasse, me hidratasse. Mas não, isso pra mim não era relevante. Na verdade eu não sentia nada, apenas um vazio no meio do vácuo. Estava completamente desconectado do mundo, e de mim mesmo. Minha mente pairava, sem foco. Imagens aleatórias surgiam e desapareciam. Até havia esquecido que estava vivo, e que já estive um dia.

Aquela necessidade de caminhar, seguir em frente, já tinha deixado de ser racional. Era apenas como um instinto inconsciente de sobrevivência inerente a um animal. Por algum motivo eu tinha que prosseguir.

As horas passavam, mas o calor permanecia rasgante, queimando o meu corpo, dilacerando minha alma. As pernas não estavam mais suportando o peso do corpo. Caminhar cada vez se tornava mais árduo. De repente caí no chão. Levantei. Continuei seguindo o caminho, sem trilhas, no meio daquela imensidão de areia. Lentamente permanecia em movimento. Novamente tombei, e levantei. Até que não consegui mais ficar de pé.

Mas isso não era o suficiente para me fazer desistir. Continuei em frente, me arrastando, suado, com areia grudada em todo o corpo.
Por algum tempo ainda segui em frente, até que meus braços travaram e sentei-me de joelhos no chão.

Aquilo parecia ser o fim. Minha visão já estava turva. Olhei ao redor, e nada. Deitei e apaguei. Acordei, e adormeci algumas vezes, imerso no nada.

De repente abri os olhos, a imagem não estava nitida, mas avistei no horizonte um campo verde, florido. Tal imagem parecia ser tão real que me deu um último suspiro para levantar-me. Com alguns vestígios de consciência batendo à minha porta peguei a garrafa d'água que carregava e pinguei as últimas gotas que ainda restavam na boca.

Segui na direção do campo, com ansiedade, sem acreditar muito naquela visão. Em alguns minutos já estava lá. Toquei com os pés aquela grama verde, molhada. Um pouco mais a frente havia um lago azul. Fui até ele e mergulhei. Aquela água gelada refrescando meu corpo quente, queimado, me deu um indescritível prazer. Naquela região tudo estava diferente. O clima mais ameno, úmido, o ar mais fresco, até os raios de sol tornaram-se agradáveis.

Aquelas lindas flores, coloridas, me fizeram voltar a sonhar. A consciência acordou, todo o meu cansaço desapareceu, uma forte energia vital voltou a circular no meu corpo, na minha alma. Logo comecei a refletir sobre a vida...

Pensei que mesmo no núcleo do limbo, da monotonia, pode surgir algo diferente, vibrante, que toque nosso coração fazendo-o voltar a ter razões para bater mais forte, contanto que não deixemos de acreditar. O amor só consegue nos alcançar se estivermos com o coração aberto para recebê-lo. Acreditar e amar nos faz permanecer vivos. Entregar-se a uma vida vazia, repetitiva, dentro de uma rotina diária, sem sentimentos fortes, é desistir de viver.

Acordei.


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Em Busca da Luz



O dia amanheceu. Toda aquela certeza que parecia claríssima na noite anterior desvaneceu. Me sentia perdido, sem saber o que achar, o que fazer. Desisti de pensar. 

No fundo eu até sabia, mas não queria mais saber. Mas sabia o que ? Tudo, ou nada ? Sabia e sentia muito, mas isso não importava mais. Pelo menos naquele instante, naquele minuto. Talvez no minuto seguinte tudo poderia mudar, girar, e mudar. Subir, descer, andar pra frente, ou pra trás.

Os sentimentos dentro de mim tornaram-se indefinidos. Pelo menos ainda existiam, e com muita intensidade, mas se foco. Estavam completamente dispersos, mas vibrantes, próximos do seu ponto de ebulição. Toda essa vibração me alimentava, mesmo no meu mundo surreal. Eu não admitiria mais viver sem isso, no vazio, mesmo na leveza, a que fatalmente me levaria à nulidade em um curto espaço de tempo. Eu não suportaria mais viver na nulidade.

Era preciso prosseguir, sempre. Viver.

Resolvi desconectar da minha consciência e deixar o vento me levar. Comecei a andar sem rumo pela orla do mar. Imagens começaram a passar rapidamente na minha mente, como um filme, revivendo os momentos, com detalhes, até mesmo as batidas do meu coração. Os últimos dias haviam sido como um caldeirão de certezas, incertezas, e emoções. Tudo aquilo ficará guardado para sempre na minha alma. Nosso primeiro contato, o primeiro toque, as poucas palavras que trocamos, o primeiro beijo, os encontros, fugas e reencontros. E a forma que nos afastamos no último encontro, depois de momentos tão lindos. Mesmo o afastamento não deixava de ser bonito, mas triste. A vida não é como uma novela que acaba quando termina o último capítulo. Sempre há o dia seguinte, onde tudo pode mudar completamente, ou não. São as incertezas que nos inspiram, fazendo lutar pelos maiores desafios, e construir as artes mais genuínas.

Quando voltei do estado de imersão notei que estava passando pelo local onde nos encontramos pela primeira vez. Senti uma leve esperança de encontrá-la, mas não a vi. Pensei então em ir até as pedras. Segui o caminho pela areia, com a água do mar tocando os meus pés, molhando minha roupa. Aquela água fria refrescava meu corpo, que naquele momento estava fervendo.


Subi as pedras, mas dessa vez com a esperança reduzida. No fundo eu sabia que ela não estaria lá, pelo menos hoje. E não estava. Procurei por toda parte, e nada. Eu sabia que os nossos tempos ainda não haviam chegado. Sentei então na pedra onde nos vimos pela última vez. Olhei para o mar, e chorei.




domingo, 24 de agosto de 2014

Brilho no Escuro



A escuridão tomou conta do céu. Aquele frio forte, rachante, estava sempre presente. Era uma noite um pouco nublada, com uma tímida lua e poucas estrelas.

Embora um pouco baqueado com o que havia ocorrido naquela tarde, por algum motivo eu estava bem. Triste, mas bem. Uma forte energia me dava a certeza de que não estava ali sozinho. Pelo contrário, sentia uma vibração e desejo de viver intensamente.

Resolvi andar um pouco. Segui a orla no sentido do parque florestal. Percebia que as pessoas que cruzavam o meu caminho discretamente me observavam. Por algum motivo eu estava diferente.

Entrei no parque e fui avançando para o meio das árvores. Eu queria mais energia, sentir o ar puro da floresta, as flores, o barulho dos animais. Fui andando, caminhando, até sumir no meio da vegetação. A interação com a natureza poderia realçar toda aquela mistura de sentimentos que estavam mexendo comigo.

Voltei a lembrar de cada pequeno detalhe que passei naquela tarde. Era algo que estava adormecido dentro de mim por muitos anos. Minha natureza sempre foi instável. Depois do primeiro encontro a minha tendência era sempre desistir. Mas com ela tudo era diferente, parecia que já nos conhecíamos a muitos anos, e que aqueles momentos marcaram o reencontro de nossas almas. Por mais que eu ou ela tentássemos fugir, sabíamos que o universo nos traria de volta.

Não sabia nada sobre ela, mal trocamos palavras, mas ao mesmo tempo parecia o contrário. No primeiro encontro fui eu quem tentou partir, achando que ela também o faria, mas não aguentei e voltei. Já no último encontro foi ela quem partiu. Ela já devia ter sua vida estabelecida, organizada, mas quando me viu pela primeira vez sei que imediatamente sentiu a minha energia tomando o seu corpo e invadindo a sua alma. Dai em diante o seu desejo de permanecer ao meu lado não mais a deixou. Tal desejo massacrava sua mente, chaqualhava seu coração, mas batia de frente com o seu racional. Embora procurasse enxergar a tudo isso de forma natural, ela não conseguia fugir de mim em definitivo. Parecia que havia um imã nos puxando, um para o lado do outro, por todo o tempo.

A mistura da noite com a essência das árvores, flores e o forte frio que rasgava a pele, geravam um cenário indescritível que intensificava aquele meu momento de imersão e reflexão.

Estávamos em fases diferentes da vida. Eu em um momento de profunda mudança e transição. Não estava mais me importando com o entorno. Meu objetivo de vida era não desperdiçar mais tempo, abandonar todo o marasmo que havia vivido nos últimos anos e seguir em frente. Respeitar meus sentimentos, ouvir e acreditar nos instintos e permitir-me emocionar-me. Não desejava ferir ninguém, mas precisava lutar pela minha felicidade, não apenas em momentos pontuais, mas de forma global.

Já ela parecia estar vivendo uma dualidade. Por um lado deixava fluir em alguns momentos tudo aquilo que tinha vontade, intensamente, entregando-se por completa. Na verdade era esse o seu verdadeiro desejo. Porém haveria um outro lado, estável, de paz, talvez bonito, e que de alguma forma lhe proporcionava um sentimento leve, suave, agradável. Para permitir a coexistência desses dois mundos, ela os mantinha isolados por uma barreira hermética e bem protegida. De um lado o mundo real, e do outro os desejos mais profundos do seu coração e sua alma.

Ela mesma não sabia qual seria o desfecho de tudo isso, mas a princípio não era relevante. Era necessário tentar entender melhor, e deixar que o tempo naturalmente a ajudasse a definir suas diretrizes. Ainda era possível compartilhar sua existência com os dois mundos sem que supostamente um interferisse no outro, já que ambos eram completamente isolados, e seus personagens não conseguiriam cruzar a barreira, a não ser que um dia ela assim quisesse.

Ainda assim, até o último instante ela lutaria para que o seu mundo real se tornasse o sonho que ela gostaria de viver, tentando colori-lo, enxergá-lo com outros olhos, ou tentaria extrair dele os sentimentos e desejos que tanto sonhava e buscava.

Ela, por mais que parecesse ser uma pessoa extremamente sensata, sabia que lá no fundo do seu ser nem tudo poderia voltar a ser como antes. Depois que descobriu e deixou-se sentir a vida, vibrante, pulsando em suas veias, tornou-se muito difícil aceitar abrir mão desse sentimento por muito tempo. Ela sabia que seus sentimentos mais profundos eram ver o seu mundo ruir, e mergulhar de corpo e alma no novo mundo, mais vivo, colorido, vibrante naturalmente, sem nada de artificial ou forçado, onde ela passaria a viver seu dia a dia intensamente, de coração exposto para o amor e sua alma completamente entregue, frágil, indefesa, tocada, cuidada, nas mãos do ser amado.

Mas não se entregaria assim tão fácil. Este novo mundo necessitaria de alguma forma conquistá-la e provar que é verdadeiro e vale a pena, e não é apenas um sonho, frágil, ilusório, que não se sustentaria por muito tempo tornando-se uma nova realidade monótona e vazia.

Percebi que muito tempo já havia passado, sem que eu notasse. Meu corpo já estava muito fraco, eu precisava alimentar-me. Neste fim de noite resolvi cuidar um pouco de mim mesmo. Amanhã seria outro dia, e tinha certeza de que algo de bom estava por vir.


Em Busca da Luz (cont. - pt.7)


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Olhar Insano



Mar da Noite (pt.1)
Nossos Momentos (prev. - pt.3)

Aquele beijo encheu nossos corpos de amor e adrenalina. O seu rosto enrubesceu e seu olhar mudou. O que antes parecia suave e singelo de repente tornou-se quente e profundo, como um animal selvagem. Logo senti suas unhas nas minhas costas. Sua respiração estava mais forte, quase ofegante. Da mesma forma que eu a abraçava ela retribuía com força, intensamente.

De repente ela me olhou nos olhos e me surpreendeu novamente. Pela primeira vez ouvi sua voz sussurrando baixinho no meu ouvido: "E agora ?".

Naquele momento senti um arrepio em todo o corpo. Olhei em seus olhos e respondi: "Agora tudo vai ser como tem que ser, sem arrependimento, sem medo". Não me importava o passado nem o futuro, mas aquele era o nosso presente, de hoje, de amanhã, e de quanto tempo tiver que ser vivido, para sempre enquanto durar.

Ela enquanto por um lado sempre havia se entregue completamente a mim, parecia demonstrar um certo medo. Mas o seu desejo era muito mais forte, e ela não era forte o suficiente para resistir. Era a luta do racional contra os seus instintos e desejos. Só que ela não conseguia esconder seus pensamentos e sentimentos de mim. Eu ficava apenas a observando, seus dilemas, sua perplexidade com toda aquela situaçao que surgiu do nada e tocou sua alma.

Para mim era um grande prazer sentí-la, vê-la lutar consigo mesma tentando achar uma sequência racional para lidar com aquela situação. No fundo tanto eu quanto ela já sabíamos o que iria acontecer. Poderíamos procrastinar por dias, ou meses, mas quanto mais demorasse maior seria a vontade, e lutar contra seria inócuo. Ela sabia que corria o risco de sua redoma de vidro quebrar, e seu frágil mundo virar de cabeça para baixo, mas na verdade era exatamente isso o que ela mais queria.




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nossos Momentos



Mar da Noite (pt.1)

Levantei. Estendi-lhe as mãos para que também se levantasse. Ela com cuidado e muito carinho segurou minhas mãos, e levantou-se lentamente. Logo a puxei para meus braços e a abracei. Ela estava gelada, com muito frio. Coloquei-a bem junto de mim para absorver o meu calor. Não conseguia mais parar de olhá-la, seu rosto, delicado, doce, singelo, seu olhar tímido, profundo.

Sua presença era tão forte que me envolvia por completo. Não queria mais soltá-la. Nossas energias se entrelaçavam e se multiplicavam em sinergia.

Resolvi levá-la a caminhar pela areia. A abracei e fomos seguindo o quebra-mar, sem tempo nem destino.

O mar, frio, vai molhando nossos pés. Os passos na areia vão deixando marcas, longínquas, perdidas no tempo, ora vividas, ou já apagadas pelas ondas.

A imagem do horizonte, o mar, aquela manhã de inverno com tímidos raios de sol, mesclados com a magia de nossas energias e sentimentos, tornavam aquele momento fascinante e singular. Era um sonho que não poderia mais terminar.

Até aquele instante ainda não haviamos trocado uma palavra sequer, mas já sentia como se ela fosse minha, e tinha certeza de sua entrega, pelos seu olhar, seus gestos, sua energia e batidas do coração. Estavamos andando praticamente colados, como uma só pessoa, mas havia uma necessidade mútua crescente de querer sempre algo a mais.

Após andarmos por um tempo surgiram mais a frente umas pedras, como um pequeno monte, onde o mar batia incessantemente. Nos aproximamos e começamos a seguir suas trilhas. Sem dizer nada, ela apenas me seguia, sem largar minha mão. Chegamos em um ponto um pouco mais elevado, bem em frente ao mar. As ondas batiam fortes nas pedras, respingando água em todas as direções, e molhando nossas peles, nossas roupas. Naquele momento mesmo com o tempo frio só sentíamos o calor um do outro.

Paramos ali, ficamos olhando o mar e sentindo um ao outro. Coloquei minha mão no seu rosto e percebi que estava frio, todo molhado com a água do mar. Segurei suas duas mãos e a puxei para mim. Olhei no fundo dos seus olhos, sua boca. Encostei meu rosto no dela. Sentia o seu perfume, seu coração batendo cada vez mais forte enquanto a tocava. Seus lábios entreabertos tocavam minha face. Comecei então a beijar o seu rosto, abracei-a bem forte colocando-a totalmente nos meus braços.

A vontade de tê-la de forma cada vez mais intensa ia aumentando, e ela se entregando mais e mais. Sentia seu corpo, seu cheiro, seu coração. Continuei a beijar seu rosto, molhado com a água do mar. Fui me aproximando da sua boca. Queria agora sentir o seu gosto. Ela sempre a minha disposição ia cedendo e se entregando. Encostei meus lábios nos dela, os mordi suavemente, bem devagar. Seu perfume era único. Não dava mais pra resistir. Senti seu gosto doce em um beijo longo e terno. Naquele momento não tinha mais como fugir. Ela era totalmente minha, e eu dela.



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As Trilhas dos Sonhos



Em uma floresta de sonhos,
Caminhei.
Cursando suas trilhas,
aprendi, sorri, chorei.

Vi o nascer do sol,
o brilho das estrelas,
as sombras da noite.
Andei, caí, levantei.

Do amanhecer em longos dias,
ao anoitecer na escuridão,
Adormeci.

O tempo passou, correu, voou.
Pestanejei entre os dias,
no escuro da noite,
decidi acordar.

Afastei as cortinas,
caçando o sol,
esquecido no tempo,
perdido no vento.

Galguei pelas ruas,
reais, repletas, vazias.
Mergulhei no ilusório,
audaz, vasto, profundo.

Pairando nas sombras,
viajei pelos mundos,
buscando o infinito,
tropecei.

Entre quadros e letras,
palavras e frases,
velejei.

Cruzando os mares,
transpondo miragens,
de mitos passados,
encontrei.

Uma luz no horizonte,
de brilho deslumbrante,
palavras tocantes,
parei.

Cheguei, sorri, fugi.
Trocando fantasias,
navegando em sonhos,
iluminei.

Amargando o presente,
sem fé nem esperança,
em um mundo de sonhos,
parti.

Nas idas e vindas,
fugas e voltas,
retornei.

E o brilho no escuro,
acalentando meu mundo,
ressurgiu.

As doces palavras,
de intensa ternura,
perdidas no tempo,
que paravam meu mundo,
renasceram.

No mesmo lugar,
com a mesma emoção,
de extrema afeição.

Invadindo o corpo,
os sonhos, a alma.
Desafiando os medos,
a vida, os rumos.

Na jornada da essência,
quando o tempo não para,
tudo se acaba.

Mas se o coração acende,
marcando um momento,
faça dele o presente,
e esteja vivo para sempre.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Viagem



Viajando no tempo,
aterrizei num momento,
onde tudo parou.

As árvores formosas,
abraçavam as folhas,
que tombavam no vento,
e voavam no tempo…
Que iam e vinham,
subiam e desciam,
mas nunca caiam.

Os olhos brilhantes,
cheios, vazios,
mirando o espaço,
nas sombras do tempo.
Fitando as cores,
dos olhares cruzados,
travessos, sonhados, roubados.

Revirando o passado,
as poeiras nos ventos,
triste, perdido, sonhado.

Recriando seu mundo,
unindo retalhos,
esquecidos no tempo,
infinito, vazio, profundo.
Pescando alegrias,
trocando palavras,
transpondo universos.

Nas entrelinhas do espaço,
surge um raio,
que faz arder o presente,
vivendo o passado.

O tempo dispara,
a noite se extingue,
mas o raio pulsante,
brilha no escuro.

A energia brota,
cresce,
distante do fim,
gera um impulso.
Em uma brecha de tempo,
surge um momento,
em que os olhos se encaixam,
e trocam as chamas,
que marcam e queimam.

Mas nas trilhas da vida,
foram traçados caminhos,
forjados nas pedras.
Aprisionadas no tempo,
imunes ao vento,
resistentes às chamas.

O dia se acaba,
mas a marca se crava,
nas profundezas da alma.
Na esperança de um dia,
a semente brotar,
crescer, florescer, geminar.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Chama



Entre ventos e trovões,
uma chama se acende.
No horizonte perdido,
onde se lança o infinito.

Andei, nadei, voei,
em uma viagem de ida,
o caminho de volta se apaga,
a cada passo adiante.
Cujo destino é a chama,
que me chama.

Quanto mais me aproximo,
mais distante ela fica.
Acelero meus passos,
meu coração, minh'alma,
tentando nela tocar.

Vislumbrando sua imagem longínqua,
pulsando forte,
mas sempre pequena,
profunda, brilhante, singela.

No decorrer da jornada,
de suor, lágrimas e esperança,
em busca daquela luz,
que levará a um novo mundo.

Um universo paralelo,
repleto de cores, água e fogo,
para alegrar a alma,
acalentar o coração,
e acender a chama da vida.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um Novo Caminho



Lá fora o sol brilha radiante,
Do lado de dentro apenas uma penumbra,
Uma leve escuridão,
E uma viagem.

As imagens cruzam velozes.
Mas para os olhos parecem surreais.
De tempos em tempos a visão clareia,
Alcançando o real,
E o surreal.

O tempo corre, e não passa.
A busca pelo desconhecido não para,
Sem perguntas ou respostas.
Só sei que sim,
Sem saber o porquê.

E o tempo voa, volta, vai...
Quando entre o real e o surreal,
No meio do nada,
Surge uma imagem.

Um novo caminho,
Obscuro, cheio de espinhos, instigante.
Sem saber como, onde, ou quando,
As marcas que ficarão.

Entre o racional e o irracional,
Medos, riscos e certezas,
A fuga não é uma opção.
É preciso percorrê-lo.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Obstáculos


Pairando pelas trilhas marcadas no passado, vou traçando novos caminhos que levam até um futuro. Um futuro que está apenas a um espaço de tempo infinitesimal do presente.

O presente, passado e futuro se fundem em um universo dinâmico. Mesmo o passado, é dinâmico quanto a sua interpretação. Os momentos que já se foram podem ser vistos hoje com uma ótica totalmente diferente da impressão que tivemos até o dia de ontem. Até aqueles fatos que nos marcaram bem forte, mesmo que negativamente, podem ter contribuído para a formação do seu Eu atual, mais vivo e fortalecido, ou não.

A dificuldade maior está sempre em entender a si próprio, exatamente o que sente e onde quer chegar. Mas normalmente a resposta para isso não é nem um pouco trivial. Mesmo que hoje se tenha uma resposta, amanhã já é outro dia, e tudo pode parecer diferente ao acordar. As opções, os seus respectivos pesos, sua disposição, determinação e emoções. Projetar um futuro distante para aspectos não racionais da vida não irá funcionar na maior parte dos casos.

A interpretação dos obstáculos que enfrentamos pode ser muito variável. Mesmo a forma de encará-los depende de cada um, seja como uma necessidade de provação, a batalha do dia a dia, ou mesmo algo completamente arbitrário e falta de sorte. Muitas vezes aquilo que temos de bom acaba sendo esquecido e só é lembrado quando perdemos. Isto porque o ser humano tem uma tendência a estar sempre insatisfeito com sua situação, e passa a querer algo mais para preenchê-lo. Na visão de terceiros sua vida pode parecer perfeita, mas ainda assim a pessoa tende a procurar por aspectos cada vez mais ínfimos para incomodá-la ao invés de simplesmente assumir e vivenciar a plenitude. Deve-se tentar descartar os sentimentos ruins o mais breve possivel para minimizar sua auto destruição interna e afastamento da felicidade.

Se prestarmos atenção no que está ao nosso redor iremos perceber que várias opções e perspectivas de vida sempre nos são apresentadas. Mas cabe a nós fazermos a nossa parte e decidirmos o caminho, e desvios. Em momentos quando tudo parecer perdido sempre surgirá uma mão para te reerguer. Para tal precisamos dar oportunidade para que nossos instintos e sensibilidade fluam livremente, caso contrário iremos sempre acabar fechados e torturados por nós mesmos em prisões psicológicas.

Quando na sua frente surgir uma luz brilhante que recarregue suas energias e te de motivos para prosseguir não deixe que ela se apague. Mantenha-a sempre viva bem próxima de você.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Montanha Russa



Amanheceu. Ainda com os olhos meio turvos abri a janela. Escassos raios de sol me mostram as primeiras imagens do dia que está prestes a começar.

Alegria, tristeza, disposição, cansaço, indefinições, perspectiva de novos presentes ou futuros. Uma mistura de sentimentos e emoções tomam conta do meu universo.

A mente gira. As ocupações do início daquela manhã me fazem entrar em piloto automático, mas a ansiedade pelo futuro próximo balança a minha serenidade e auto controle. No meio da alegria surgem momentos de tristeza. Mas a tristeza não é suficiente para manter-se ativa por muito tempo e logo devanece. Tudo isso não mais importa. A energia positiva supera tais obstáculos e me coloca de pé pronto para prosseguir.

Diante de tudo isso percebo que é necessário desconectar-me destes excessos para poder visualizar o que está para vir de forma mais límpida, desprezendo ao máximo o que não interessa e absorvendo com intensidade aquilo que elevar minha alma.

Cada pessoa tem sua energia vital. Ninguém pode ser julgado como bom ou mau em absuluto. Todos temos aspectos positivos e negativos mas que são amplificados ou atenuados dependendo da forma de interação. Um modo mais puro de viver é entrar em sintonia apenas com aquilo de bom que a pessoa puder te passar. Assim sua relação com o mundo se tornará muito mais feliz.

E o tempo passou...

No meio de um universo confuso, um labirinto de idéias, fui navegando. Tentando me desviar dos obstáculos com cuidado, mantendo a nave com o máximo de íntegridade, e mínimo de avarias. Ao mesmo tempo enriquecendo minhas idéias e interagindo com novos mundos. Quando tudo parecia estar sob controle surge uma estrela.

Aquela luz radiante faz com que toda a escuridão do universo torne-se um céu azul. Obstáculos começam a desintegrar-se, e o movimento passa a ser de forma mais intensa, turbulenta e acelerada. Depois de receber toda aquela energia nada mais poderá ser como antes, tudo mudará para sempre.

Mas nem tudo é perfeito mesmo quando tudo parece estar o melhor possível. Ventos bons e ruins estão por todo lado, e estamos sempre sendo submetidos a provas. Enquanto muitos buscam a plenitude, o amor e a paz, algumas pessoas ainda abrem espaço em suas vidas para propagar o desamor, a discórdia, a desunião.

Mas se estamos fortes em espírito não fugimos da luta por um mundo melhor. Por mais complicados que sejam os obstáculos, mesmo que soframos danos de combate a vida deve continuar. Não podemos jamais perder a esperança de alcançarmos nossos objetivos, e uma vida repleta de amor e paz.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Presente x Futuro II


Alguns meses se passaram. Finalmente acordei; ou desacordei. De repente grande parte de toda verdade não fazia mais tanto sentido. E o que faria sentido ? Haveria uma nova verdade ? Talvez uma verdade composta de axiomas, dogmas e paradigmas dilacerados. Quanto mais aquelas regras e preceitos que te prendem ao mundo real - ou irreal se quebram, surge uma nova e vasta perspectiva de presente e futuro.

As metas materiais embora existam não são mais tão relevantes, mas apenas um meio para alcançar a sua libertação. A diferença entre o certo e o errado deixa de ser óbvia, e depende do ângulo de visão. Aqueles gênios pensadores que antes pareciam sempre perfeitos tornam-se simples seres mortais como eu e você, que apenas tentam propagar as suas ideias, com inteligência e retórica. 

Diante de tanta obscuridade é preciso buscar uma centelha de luz que te guie em rumo ao renascimento. Mas é importante manter vivos estes conceitos do novo mundo que se apresenta e que te fizeram mudar para sempre.

Esta luz irá levar sua mente a reencontrar a sua origem. A sua origem e o início do renascimento convergem no mesmo ponto de partida, as batidas do seu coração.

Sentir um coração pulsante dentro de você, te leva a entender que é necessário viver, sentir, arriscar, emocionar-se, errar, acertar.

A vida volta a se apresentar instigante e a cores diante de você, mas a decisão entre ir em frente ou declinar é apenas sua. É como escolher entre a vida e a morte. Mas se o nosso coração ainda bate, é necessário seguir em frente. Aproveitar a cada instante este privilégio que nos foi concedido.

Seja apenas você mesmo, por mais difícil que isto pareça ser. Não deixe que as determinações sociais, políticas ou religiosas te façam ser aquilo que você não é, porque assim estarás se afastando de si mesmo, e tornando-se um ser nulo e inócuo. Mudanças são sempre bem-vindas, mas com consciência e verdade, nunca por temor ou submissão.

Quanto mais livre sua mente for, mais leve será a sua forma de encarar a vida. Fale o que tiver vontade de falar, concorde, discorde, critique, grite, cale-se, sussurre. Ninguém é superior ou inferior a você. Somos todos absolutamente iguais, do indigente ao papa. Ninguém, a não ser os seus pais, tem o direito de dizer o que você deve ou não fazer, e cabe apenas à você aceitar ou não, já que a vida é apenas sua e de mais ninguém.

Busque a sua felicidade a todo custo. Lute sempre por ela e acredite, porque por pior que pareça que tudo está para você sempre surgirá uma luz no fim do túnel para te salvar. Mas se você desistir de lutar por si mesmo e entregar-se ao limbo nada mais poderá te ajudar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Presente x Futuro



A conjuntura em que vivemos leva o homem a lutar obstinadamente, seja pela sua sobrevivência, ou se já tiver superado esta fase, pela ambição de ganhar cada vez mais dinheiro e poder.

Esta ambição faz com que o homem passe a viver uma vida focada principalmente no materialismo, reprimindo e passando por cima de seus semelhantes se necessário para "crescer".

Desta forma ele passa a viver a maior parte do seu dia confinado em um ambiente hostil, como se estivesse em uma competição inócua, sob estress extremo, que o leva a distanciar-se dos verdadeiros valores da vida.

O tempo passa, sua saúde desvanece, a vida passa como um piscar de olhos. E se no fim de tudo ainda houver tempo, resolve-se pensar se valeu a pena... E se tivéssemos uma segunda chance, como seria? Ao invés de esperar por este momento para chegarmos a tais conclusões, ainda podemos mudar e passar a viver intensamente de forma que o final desta nossa passagem seja diferente.

Um pequeno texto para reflexão (recebi este texto abaixo por email e achei interessante, porém não tenho certeza de que tenha sido originado do próprio Dalai Lama):

Perguntaram ao Dalai Lama:
O que mais te surpreende na humanidade ?

Dalai Lama responde:

"O que mais me surpreende na humanidade,
  são os homens.

 Porque perdem a saúde para juntar dinheiro.
 Depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.

 E por pensarem ansiosamente no futuro,
 esquecem do presente de tal forma que acabam
 por não viver nem o presente nem o futuro.

 E vivem como se nunca fossem morrer...
 ... E morrem como se nunca tivessem vivido."

~ Comunidade Espírita - Amigos de Chico Xavier ~

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. ~Chico Xavier

segunda-feira, 5 de julho de 2010

2012 - Na Esperança de um Futuro melhor

Desde o início da humanidade supostos profetas vêm fazendo previsões para o futuro da humanidade. Dentre uma grande massa de dados de possibilidades, sempre há alguns erros, e acertos. Porém alguns destes profetas tornaram-se famosos e suas previsões passaram a ser consideradas como sérias devido a supostos acertos, mesmo que tenham sido baseados nas interpretações de metáforas, ou tentativa de "tradução" para o mundo de hoje os termos utilizados no tempo em que viviam.

A própria Bíblia cita no livro do Apocalipse que a Era em que vivemos terá um fim. Nesse fim, no meio de guerras e catástrofes Jesus Cristo retornaria para resgatar aqueles que enquanto vivos seguiram a "palavra". A observação da proximidade deste fim se daria através de sinais, tais como o homem passando a utilizar dispositivos eletrônicos a fim de controlar ao próprio homem. No mundo de hoje este tipo de controle já é utilizado em larga escala e para diversos propósitos.

Nostradamus - um respeitado profeta que viveu entre 1503 e 1566, e que supostamente acertou profecias tais como a queda da União Soviética ( "Um dia serão amigos os dois grandes chefes…" ), disse a seguinte frase: "Até 1.000 irás, mas de 2.000 não passarás". Já passamos do ano 2.000, porém interpretações diversas do seu texto sempre poderão ocorrer tais como a base de referência dos anos, se ele utilizou o termo 2 mil pensando q não chegaria a 3.000, e assim por diante.

Em livros que procuram interpretar as profecias de Nostradamus, encontram-se as previsões citadas a seguir, entre outras. Nos anos 80 seria descoberto um novo corpo celeste em nosso sistema solar. Em um dado momento as relações entre o ocidente e oriente estariam tão estremecidas, que haveria uma 3a grande guerra mundial. No meio desta guerra, este copo celeste chegaria a uma proximidade da Terra que causaria muitas catástrofes. O nível de devastação e número de mortes seria tão elevado que a guerra chegaria ao fim, e a população remanescente se juntaria para criar uma nova civilização, dando início à próxima Era com maior grau de evolução da raça humana.

A título de curiosidade, existem matérias divulgadas que citam um tal planeta com o nome de "Nibiru" (ou Planeta X), o qual teria de 4 a 8 vezes a massa da Terra, e cruzaria o nosso sistema solar a cada 'n' mil de anos. Este planeta supostamente estaria próximo da Terra entre o fim de 2012 e início de 2013. Diz-se que em outras ocasiões a passagem deste planeta causou mega catástrofes na Terra (ex.: dilúvio / arca de Noé).

Um outro relato polêmico foi a passagem em nosso sistema solar por um cometa (NEAT) em 2003. A sua verdadeira dimensão é incerta, dado que uns dizem ser maior do que Júpiter, e outros equivalente a Mercúrio. Este cometa estava em uma trajetória de colisão com o Sol. Porém quando chegou bem próximo, ocorreu uma explosão solar e o cometa haveria se desviado da rota de colisão. Considerando a magnitude de sua dimensão, uma colisão com o Sol poderia ter causado uma explosão tão violenta que teria "torrado" a Terra.

Desde o início do século XX, percebeu-se que o polo magnético norte da Terra estava sendo deslocado na direção da Rússia, com velocidade cerca de 15km/ano. Em matéria recentemente publicada pela National Geographic, a velocidade de deslocamento já estaria a 60km/ano, e no presente momento o polo norte já estaria situado nas ilhas canadenses ao nordeste do continente americano. O deslocamento poderia ser explicado pelo movimento do ferro fundido contido no centro da Terra. Este fenômeno poderia se acentuar a ponto de ocorrer uma inversão da polaridade da Terra, com conseqüências imprevisíveis.

Da mesma forma que existem as previsões fatalistas, há publicações científicas que as desmentem:

Fontes e referências: AstroPT: 2012 – Fim do Mundo

Fonte: Eternos Aprendizes

2012: Don Yeomans, cientista da NASA e coordenador do programa NEO, explica o que não vai acontecer em 2012
Seth Shostak do instituto SETI fala sobre o tema 2012 e comenta o filme
2012: Dr. Neil deGrasse Tyson fala sobre o tema e explica sobre o alinhamento galáctico
2012: Não haverá tempestade solar assassina
2012: Não haverá inversão dos pólos magnéticos da Terra
2012: Não Haverá o ‘Fim do Mundo’
2012: Não haverá Planeta X
2012: o Planeta X não é Nibiru
2012: Não haverá nenhum cometa assassino, Nibiru ou Planeta-X


Há também publicações espíritas, que dizem ser o planeta Nibiru um portal interdimensional. A Terra estaria passando pelo fim de uma Era. A passagem deste corpo não seria necessariamente visível por nossos olhos, porém funcionaria como um planeta "Chupão" (citado pelo médium Chico Xavier), de menor vibração, o qual atrairia os espíritos menos evoluídos para seguirem uma nova jornada. Desta forma, os que permanecessem na Terra seriam supostamente os mais evoluídos, e assim o nosso planeta passaria para uma nova Era, com maior grau de desenvolvimento espiritual.

Pelo visto o nosso futuro ainda está indefinido. Porém temos que observar desde já os sinais que nos cercam. O homem tem destruído o planeta cada vez mais intensivamente. O respeito aos seres vivos, inclusive ao seu semelhante está cada vez menor. O materialismo e consumismo exacerbado impera no mundo atual, incentivado pela mídia. Nossos recursos naturais estão em processo acelerado de extinção. Estamos cada vez mais acuados, reprimidos e fiscalizados pelo sistema, e somos levados a viver confinados em uma rotina até o fim de nossas vidas. Será que isso pode mudar, sem que ocorra uma mega catástrofe que abale a estrutura do sistema ? O "Universo" nos tem dado várias chances para começar esta mudança. Pode ser que chegue um momento em que "Ele" desista de esperar por nossa atitude, e resolva agir por conta própria...

Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim. ~Chico Xavier