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terça-feira, 11 de novembro de 2014

Poesias - Índice



Poesias escritas até a presente data neste blog:


As Trilhas dos Sonhos

A Viagem

A Chama

Um Novo Caminho

Velho Mundo Novo

Inverno

O Sonho


"Se você treinar para ser uma ficção por algum tempo, compreenderá que os personagens de ficção às vezes são mais reais do que pessoas de carne e osso e corações pulsando."

"Cada pessoa, todos os fatos de sua vida ali estão porque você os pos ali. O que fazer com eles cabe a você resolver."

"Viva de modo a nunca se arrepender se algo que você faça ou diga for publicado pelo mundo afora - mesmo que o que for publicado não seja verdade."

"Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles. Você está sempre livre para mudar de ideia e escolher um futuro ou um passado diferentes."

"Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade; sente um impulso... é para este lugar que devo ir agora. mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá quando se erguer o suficiente para ver alem dos horizontes."

"Eis aqui um teste para verificar se a sua missão na terra está cumprida; se voce está vivo, não está."

~Ilusões - Richard Bach

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Miragens


Mar da Noite (pt.1)
Em Busca da Luz (prev. - pt.7)

O sol reinava nos céus. Seus intensos raios de luz transpassavam as nuvens esparsas e atingiam o solo impiedosamente. O vento batia forte, mas a sensação de calor era extrema.

Caminhava descalço pelas areias do deserto. Estava com fome, sede, respirando com dificuldade devido ao ar abafado. Meu corpo queimava, cansado, mas continuava andando, sem destino, fugindo do marasmo do dia a dia.

O cansaço pedia que sentasse, me hidratasse. Mas não, isso pra mim não era relevante. Na verdade eu não sentia nada, apenas um vazio no meio do vácuo. Estava completamente desconectado do mundo, e de mim mesmo. Minha mente pairava, sem foco. Imagens aleatórias surgiam e desapareciam. Até havia esquecido que estava vivo, e que já estive um dia.

Aquela necessidade de caminhar, seguir em frente, já tinha deixado de ser racional. Era apenas como um instinto inconsciente de sobrevivência inerente a um animal. Por algum motivo eu tinha que prosseguir.

As horas passavam, mas o calor permanecia rasgante, queimando o meu corpo, dilacerando minha alma. As pernas não estavam mais suportando o peso do corpo. Caminhar cada vez se tornava mais árduo. De repente caí no chão. Levantei. Continuei seguindo o caminho, sem trilhas, no meio daquela imensidão de areia. Lentamente permanecia em movimento. Novamente tombei, e levantei. Até que não consegui mais ficar de pé.

Mas isso não era o suficiente para me fazer desistir. Continuei em frente, me arrastando, suado, com areia grudada em todo o corpo.
Por algum tempo ainda segui em frente, até que meus braços travaram e sentei-me de joelhos no chão.

Aquilo parecia ser o fim. Minha visão já estava turva. Olhei ao redor, e nada. Deitei e apaguei. Acordei, e adormeci algumas vezes, imerso no nada.

De repente abri os olhos, a imagem não estava nitida, mas avistei no horizonte um campo verde, florido. Tal imagem parecia ser tão real que me deu um último suspiro para levantar-me. Com alguns vestígios de consciência batendo à minha porta peguei a garrafa d'água que carregava e pinguei as últimas gotas que ainda restavam na boca.

Segui na direção do campo, com ansiedade, sem acreditar muito naquela visão. Em alguns minutos já estava lá. Toquei com os pés aquela grama verde, molhada. Um pouco mais a frente havia um lago azul. Fui até ele e mergulhei. Aquela água gelada refrescando meu corpo quente, queimado, me deu um indescritível prazer. Naquela região tudo estava diferente. O clima mais ameno, úmido, o ar mais fresco, até os raios de sol tornaram-se agradáveis.

Aquelas lindas flores, coloridas, me fizeram voltar a sonhar. A consciência acordou, todo o meu cansaço desapareceu, uma forte energia vital voltou a circular no meu corpo, na minha alma. Logo comecei a refletir sobre a vida...

Pensei que mesmo no núcleo do limbo, da monotonia, pode surgir algo diferente, vibrante, que toque nosso coração fazendo-o voltar a ter razões para bater mais forte, contanto que não deixemos de acreditar. O amor só consegue nos alcançar se estivermos com o coração aberto para recebê-lo. Acreditar e amar nos faz permanecer vivos. Entregar-se a uma vida vazia, repetitiva, dentro de uma rotina diária, sem sentimentos fortes, é desistir de viver.

Acordei.


quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As Trilhas dos Sonhos



Em uma floresta de sonhos,
Caminhei.
Cursando suas trilhas,
aprendi, sorri, chorei.

Vi o nascer do sol,
o brilho das estrelas,
as sombras da noite.
Andei, caí, levantei.

Do amanhecer em longos dias,
ao anoitecer na escuridão,
Adormeci.

O tempo passou, correu, voou.
Pestanejei entre os dias,
no escuro da noite,
decidi acordar.

Afastei as cortinas,
caçando o sol,
esquecido no tempo,
perdido no vento.

Galguei pelas ruas,
reais, repletas, vazias.
Mergulhei no ilusório,
audaz, vasto, profundo.

Pairando nas sombras,
viajei pelos mundos,
buscando o infinito,
tropecei.

Entre quadros e letras,
palavras e frases,
velejei.

Cruzando os mares,
transpondo miragens,
de mitos passados,
encontrei.

Uma luz no horizonte,
de brilho deslumbrante,
palavras tocantes,
parei.

Cheguei, sorri, fugi.
Trocando fantasias,
navegando em sonhos,
iluminei.

Amargando o presente,
sem fé nem esperança,
em um mundo de sonhos,
parti.

Nas idas e vindas,
fugas e voltas,
retornei.

E o brilho no escuro,
acalentando meu mundo,
ressurgiu.

As doces palavras,
de intensa ternura,
perdidas no tempo,
que paravam meu mundo,
renasceram.

No mesmo lugar,
com a mesma emoção,
de extrema afeição.

Invadindo o corpo,
os sonhos, a alma.
Desafiando os medos,
a vida, os rumos.

Na jornada da essência,
quando o tempo não para,
tudo se acaba.

Mas se o coração acende,
marcando um momento,
faça dele o presente,
e esteja vivo para sempre.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Viagem



Viajando no tempo,
aterrizei num momento,
onde tudo parou.

As árvores formosas,
abraçavam as folhas,
que tombavam no vento,
e voavam no tempo…
Que iam e vinham,
subiam e desciam,
mas nunca caiam.

Os olhos brilhantes,
cheios, vazios,
mirando o espaço,
nas sombras do tempo.
Fitando as cores,
dos olhares cruzados,
travessos, sonhados, roubados.

Revirando o passado,
as poeiras nos ventos,
triste, perdido, sonhado.

Recriando seu mundo,
unindo retalhos,
esquecidos no tempo,
infinito, vazio, profundo.
Pescando alegrias,
trocando palavras,
transpondo universos.

Nas entrelinhas do espaço,
surge um raio,
que faz arder o presente,
vivendo o passado.

O tempo dispara,
a noite se extingue,
mas o raio pulsante,
brilha no escuro.

A energia brota,
cresce,
distante do fim,
gera um impulso.
Em uma brecha de tempo,
surge um momento,
em que os olhos se encaixam,
e trocam as chamas,
que marcam e queimam.

Mas nas trilhas da vida,
foram traçados caminhos,
forjados nas pedras.
Aprisionadas no tempo,
imunes ao vento,
resistentes às chamas.

O dia se acaba,
mas a marca se crava,
nas profundezas da alma.
Na esperança de um dia,
a semente brotar,
crescer, florescer, geminar.