quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Viagem



Viajando no tempo,
aterrizei num momento,
onde tudo parou.

As árvores formosas,
abraçavam as folhas,
que tombavam no vento,
e voavam no tempo…
Que iam e vinham,
subiam e desciam,
mas nunca caiam.

Os olhos brilhantes,
cheios, vazios,
mirando o espaço,
nas sombras do tempo.
Fitando as cores,
dos olhares cruzados,
travessos, sonhados, roubados.

Revirando o passado,
as poeiras nos ventos,
triste, perdido, sonhado.

Recriando seu mundo,
unindo retalhos,
esquecidos no tempo,
infinito, vazio, profundo.
Pescando alegrias,
trocando palavras,
transpondo universos.

Nas entrelinhas do espaço,
surge um raio,
que faz arder o presente,
vivendo o passado.

O tempo dispara,
a noite se extingue,
mas o raio pulsante,
brilha no escuro.

A energia brota,
cresce,
distante do fim,
gera um impulso.
Em uma brecha de tempo,
surge um momento,
em que os olhos se encaixam,
e trocam as chamas,
que marcam e queimam.

Mas nas trilhas da vida,
foram traçados caminhos,
forjados nas pedras.
Aprisionadas no tempo,
imunes ao vento,
resistentes às chamas.

O dia se acaba,
mas a marca se crava,
nas profundezas da alma.
Na esperança de um dia,
a semente brotar,
crescer, florescer, geminar.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Chama



Entre ventos e trovões,
uma chama se acende.
No horizonte perdido,
onde se lança o infinito.

Andei, nadei, voei,
em uma viagem de ida,
o caminho de volta se apaga,
a cada passo adiante.
Cujo destino é a chama,
que me chama.

Quanto mais me aproximo,
mais distante ela fica.
Acelero meus passos,
meu coração, minh'alma,
tentando nela tocar.

Vislumbrando sua imagem longínqua,
pulsando forte,
mas sempre pequena,
profunda, brilhante, singela.

No decorrer da jornada,
de suor, lágrimas e esperança,
em busca daquela luz,
que levará a um novo mundo.

Um universo paralelo,
repleto de cores, água e fogo,
para alegrar a alma,
acalentar o coração,
e acender a chama da vida.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um Novo Caminho



Lá fora o sol brilha radiante,
Do lado de dentro apenas uma penumbra,
Uma leve escuridão,
E uma viagem.

As imagens cruzam velozes.
Mas para os olhos parecem surreais.
De tempos em tempos a visão clareia,
Alcançando o real,
E o surreal.

O tempo corre, e não passa.
A busca pelo desconhecido não para,
Sem perguntas ou respostas.
Só sei que sim,
Sem saber o porquê.

E o tempo voa, volta, vai...
Quando entre o real e o surreal,
No meio do nada,
Surge uma imagem.

Um novo caminho,
Obscuro, cheio de espinhos, instigante.
Sem saber como, onde, ou quando,
As marcas que ficarão.

Entre o racional e o irracional,
Medos, riscos e certezas,
A fuga não é uma opção.
É preciso percorrê-lo.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Velho Mundo Novo


Acordei.
Em um velho mundo novo,
O mundo dos sonhos.
Ilusões, alegria e tristeza,
Vasto, cheio, vazio, instigante.

Desacordei.
Sem sonhos, sem metas,
Parei.

Ir ou ficar?
Ir, crescer, sonhar, sorrir, chorar.
Ficar, viver, parar, desaparecer.
Fiquei.

Os sonhos vão, mas vêm.
As ilusões persistem.
As visões me chamam de volta.
Chorei.

Nada mais será como antes.
O desconhecido deve ser explorado,
Novas trilhas desbravadas.
Enfrentando riscos, sem medos, sem traumas, livre.
Voltei.

É preciso acordar mais uma vez.
Acordei.


sábado, 21 de junho de 2014

Inverno



A brisa que vem do mar já está mais fria.
Penetra em nosso corpo, nossa alma,
Secando as pequenas doces gotas que ainda restavam.
Os ventos frios tornam-se cortantes.
A fonte de energia que nos alimenta não aquece mais.
O corpo cai.
A mente enfraquece, quase se apaga.
No limiar do perecer ela luta por sua existência.
Procurando desesperadamente por uma luz.
As opções vêm, mas vão.
Imagens de tudo e nada se mesclam no tempo.
A friagem começa a congelar a alma.
Os movimentos passam a travar.
Mas uma chama profunda ainda permanece acesa, inabalável.
A lembrança dos raios de sol que um dia voltarão,
A manterá viva para sempre.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Sonho



Flutuando através da correnteza,
Enfrentando as ondas,
Molhado, persistente, dilacerado,
Em curvas, retas e círculos,
Rumo ao horizonte,
Onde a Terra se curva,
Terminam as nuvens cinzentas.

Surge o Sol, o amanhecer.
Raios límpidos fazem o horizonte brilhar,
Rasgando o céu, as nuvens, os ventos,
Aquecendo a alma, fazendo-a sonhar.

Acordando em um novo mundo,
Azul, puro, brilhante,
Iluminado por uma flor,
Singular, dócil, singela,
Onde chegam e partem raios de luz.

Preenchendo o novo mundo,
Criando nele um novo sonho,
Intenso, suave, infinito,
Para sempre, enquanto durar.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Obstáculos


Pairando pelas trilhas marcadas no passado, vou traçando novos caminhos que levam até um futuro. Um futuro que está apenas a um espaço de tempo infinitesimal do presente.

O presente, passado e futuro se fundem em um universo dinâmico. Mesmo o passado, é dinâmico quanto a sua interpretação. Os momentos que já se foram podem ser vistos hoje com uma ótica totalmente diferente da impressão que tivemos até o dia de ontem. Até aqueles fatos que nos marcaram bem forte, mesmo que negativamente, podem ter contribuído para a formação do seu Eu atual, mais vivo e fortalecido, ou não.

A dificuldade maior está sempre em entender a si próprio, exatamente o que sente e onde quer chegar. Mas normalmente a resposta para isso não é nem um pouco trivial. Mesmo que hoje se tenha uma resposta, amanhã já é outro dia, e tudo pode parecer diferente ao acordar. As opções, os seus respectivos pesos, sua disposição, determinação e emoções. Projetar um futuro distante para aspectos não racionais da vida não irá funcionar na maior parte dos casos.

A interpretação dos obstáculos que enfrentamos pode ser muito variável. Mesmo a forma de encará-los depende de cada um, seja como uma necessidade de provação, a batalha do dia a dia, ou mesmo algo completamente arbitrário e falta de sorte. Muitas vezes aquilo que temos de bom acaba sendo esquecido e só é lembrado quando perdemos. Isto porque o ser humano tem uma tendência a estar sempre insatisfeito com sua situação, e passa a querer algo mais para preenchê-lo. Na visão de terceiros sua vida pode parecer perfeita, mas ainda assim a pessoa tende a procurar por aspectos cada vez mais ínfimos para incomodá-la ao invés de simplesmente assumir e vivenciar a plenitude. Deve-se tentar descartar os sentimentos ruins o mais breve possivel para minimizar sua auto destruição interna e afastamento da felicidade.

Se prestarmos atenção no que está ao nosso redor iremos perceber que várias opções e perspectivas de vida sempre nos são apresentadas. Mas cabe a nós fazermos a nossa parte e decidirmos o caminho, e desvios. Em momentos quando tudo parecer perdido sempre surgirá uma mão para te reerguer. Para tal precisamos dar oportunidade para que nossos instintos e sensibilidade fluam livremente, caso contrário iremos sempre acabar fechados e torturados por nós mesmos em prisões psicológicas.

Quando na sua frente surgir uma luz brilhante que recarregue suas energias e te de motivos para prosseguir não deixe que ela se apague. Mantenha-a sempre viva bem próxima de você.