quarta-feira, 8 de maio de 2024

The View


Quando olhamos para o céu, teoricamente estamos observando planetas, estrelas, galáxias, assim como eventuais corpos dispersos no espaço, naturais ou construídos pelo homem, localizados a distancias muito variadas, desde alguns metros até bilhões de anos-luz da Terra (1 ano-luz = distancia percorrida pela luz por 1 ano ~ 9.500.000.000.000 km).


Isso significa que a imagem que recebemos de diversos corpos celestes representam como era no instante em que a luz que viajou até nós, partiu dele. Ou seja, estamos observando como era no passado. Considerando ainda que o tempo de vida de uma estrela pode variar entre milhões e bilhões de anos, é possível que algumas das imagens que recebemos foram emitidas por objetos que nem existem mais no presente.


A própria percepção da matéria que enxergamos nada mais é do que parte da luz que nela bateu e foi refletida na direção dos nossos olhos. A parte da luz absorvida não eh visível. Caso um corpo absorva toda a luz que nele chega, temos a percepção da cor preta, assim como o branco significa quando todo o espectro de frequências da luz são refletidas ao chegarem no objeto. Fisicamente falando, as cores nada mais são do que o somatório das frequências de luz que chegam em um dado objeto e são refletidas na direção dos nossos olhos. De certa forma podemos interpretar as cores como algo ilusório, inexistente, não inerentes a matéria.


A mente humana é muito complexa. A percepção que abstraímos daquilo que vemos, ou interpretamos, varia radicalmente de acordo com cada pessoa.


Os instintos naturais que nos acompanham desde o nascimento, influenciados pela experiência de vida que vamos adquirindo no dia a dia construíram o nosso Eu presente. As alegrias, tristezas, traumas, marcas, sofrimentos, sucessos, insucessos, frustrações, realizações que fomos alcançando, aliados a fatores químicos intrínsecos ao nosso corpo, contribuíram fortemente para nos tornarmos a pessoa que somos hoje.


Um mesmo cenário observado por duas pessoas diferentes pode gerar interpretações e sentimentos completamente distintos, baseados na ótica de quem enxerga, influenciados pela sua visão de mundo, construída gradativamente da forma descrita acima.


É importante ter em mente que a sua verdade não é necessariamente a do outro. Mesmo que em circunstancias iguais, não necessariamente terão a mesma percepção, reação e sentimentos. O que para um pode vir a causar sofrimento, na visão do outro aquilo pode não causar sentimento algum. Da mesma forma uma visão maliciosa de um cenário pode ser apenas o fruto da sua imaginação, abstraída de uma visão distorcida da realidade.


Para que possamos construir um mundo melhor para nos mesmos é essencial a tentativa de compreensão da verdade naquilo que nos cerca. Em uma primeira visão certas conclusões podem parecer óbvias na ótica do observador. Porém quando tais conclusões estão associadas à aspectos intangíveis ou relacionadas a terceiros, nem sempre pode-se ter certeza de que descrevem de fato a realidade.


Sendo assim, para evitarmos atritos inócuos e desnecessários, é melhor para nós mesmos, para a saúde mental e para melhorar a qualidade de convivência com as pessoas, que não se tome precipitadamente atitudes ríspidas ou acusatórias. Principalmente se houver alguma chance daquilo que foi abstraído na sua mente decorrente do cenário observado ser uma inverdade. 


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