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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O Perfil da Sociedade Brasileira

Nos últimos dois posts, tentei resumir a evolução dos acontecimentos históricos no Brasil desde o seu descobrimento até a proclamação da República, a qual vivemos até os dias de hoje.

No início de nossos tempos, o povo brasileiro foi constituído principalmente de imigrantes cujos objetivos eram a exploração de recursos visando maiores lucros no comércio. Para maximizar os lucros eram utilizados índios e mais adiante escravos negros adquiridos através de tráfico de homens vindos da África.

Na colonização nunca houve uma unidade dos imigrantes nem o objetivo de construir no Brasil a sua terra. Os movimentos populares revolucionários em busca da independência nunca foram o suficiente para alcançá-la. Nossas principais conquistas sempre foram com fundo político, ou com o apoio econômico das classes dominantes. O povo brasileiro, diferentemente de outras nações nunca precisou entrar em guerra, ou lutar e morrer por seus ideais, fora em situações pontuais.

Grande parte dos imigrantes portugueses que vieram para o Brasil eram considerados de baixo escalão ou pessoas indesejáveis pela monarquia. Uma parcela substancial do povo brasileiro foi constituída pela miscigenação entre estes portugueses, junto com os índios e negros provenientes do tráfico de escravos.


No decorrer dos tempos, imigrantes de outros países vieram para o Brasil por razões e objetivos diversos, porém mantendo traços de suas culturas nas regiões onde se estabeleceram.


Até hoje nossa população apresenta um número elevado de analfabetos - mais de 10% da população com idade acima de 15 anos não sabem ler e escrever. Isto representa cerca de 14 milhões de pessoas. O Brasil é um país que apresenta uma grande desigualdade social, onde 10% da população representada pelos mais ricos possui cerca de 50% da renda de todo o país, e 50% da população representada pelos mais pobres possui apenas 10% da renda. Além disso, os 1% localizados no topo da pirâmide social (os mais ricos) possuem uma parcela de renda superior a da metade de toda a população brasileira (mais pobres).

Veja aqui alguns dados estatísticos do Brasil.


Após a proclamação da República em 1889, com o regime presidencialista diversos presidentes chegaram ao poder. Porém em 1o de abril de 1964 o Brasil sofreu um golpe militar (revolução de 1964) o qual estaria associado à ideia de futuro, de esperança de um tempo melhor, algo prometido à população devido ao estado de corrupção existente, aos vários problemas estruturais que surgiram na política brasileira no decorrer dos anos da República, assim como supostas ameaças de comunismo.

O golpe de 1964 submeteu o Brasil a um regime alinhado politicamente com os Estados Unidos da América, e durou até 1985 quando indiretamente foi eleito o primeiro presidente civil desde as eleições de 1960, Tancredo Neves.

O momento histórico do golpe militar de 1964 era complicado, dado que o mundo vivia a Guerra Fria, onde por um lado países como a China, Cuba e URSS representavam o lado comunista e tentavam influenciar ou financiar outros países a seguirem o seu regime de governo, por outro lado havia os Estados Unidos defendendo o lado capitalista. Pode-se fazer diversas suposições com relação a procedência das iniciativas e financiamentos das duas correntes ideológicas existentes no Brasil (direita x esquerda). Porém é inquestionável que durante a ditadura militar a população brasileira sofreu uma forte repressão e a imprensa uma extrema censura. Há relatos de supostas torturas e assassinatos.


Geraldo Vandré - Para não dizer que não falei das flores


Muitas das pessoas que vivenciaram este momento histórico ficaram marcadas para sempre. As crianças  foram educadas neste período sob o regime repressor, e aprenderam a não questionar e aceitar as imposições do governo para não sofrerem represálias.

Se antes o povo brasileiro já não tinha uma unidade e posicionamento forte na luta por seus ideais, a partir de 1964 passou a se tornar ainda mais passivo e submisso aos detentores do poder. Tal temor e passividade persistem até os dias de hoje. Os políticos fazem leis às suas vontades. Governam em causa própria, como se o país fosse sua empresa particular. Em geral chegam ao poder através de ações populistas, beneficiando-se da pobreza e carência de educação da maior parte da população para obterem votos. Ao assumirem o poder elaboram leis completamente contra o desejo do povo, focadas principalmente no aumento da arrecadação do Estado, justificadas por mínimos pretextos, que apoiados pela midia são suficientes para calar o povo. A nossa história tornou o povo brasileiro tão passivo e submisso, que é praticamente incapaz até mesmo de se posicionar radicalmente contra medidas tais como leis criadas pelos próprios políticos para o aumento do seu próprio salário, aumento do preços de combustíveis, criação de novos impostos (ex. CPMF, taxa de iluminação pública), entre outras.

Nosso povo se satisfaz com muito pouco. Se o seu time vence no estádio a alegria momentânea é suficiente para o esquecimento das adversidades. Uma cervejinha também pode ser uma boa forma de esquecer. E desta forma os governos se mantém, administrando seus Estados - suas "empresas". O povo olha, sabe, mas permanece passivo e submisso.