terça-feira, 23 de setembro de 2014

Reflexões


A verdadeira lição de vida vem daqueles que não vão à igreja, não têm religião, não agem por temores a seres supostamente superiores por medo de receberem punições ou de irem para o inferno, não fazem nada visando salvação, evolução espiritual, ou vaidade, e ainda assim possuem bondade no coração, amor ao próximo e dá as mãos a quem mais precisa sem esperar por algo em troca.

Ninguém tem o direito de dizer o que é certo ou errado para os outros. Cada um que viva a sua vida da forma que achar melhor, independente se seus gostos são politicamente corretos ou não. O importante é viver intensamente e ser feliz.

Se no próprio Gênesis Deus deu ao homem o direito de provar do fruto da árvore da ciência, então nenhum outro homem tem o direito de privar a terceiros de sua liberdade. Se optar por fazer algo que lhe faça mal o problema é apenas dele próprio e não do governo ou de hipócritas que se sentem no direito de julgar ou cercear a liberdade do próximo.

Algumas coisas que ajudam no sentido de não pirar ou não tornar-se uma pessoa amarga, ranzinza, desgastada: Seja sempre criança até o seu último dia de vida.

Quando você não aguentar mais a pressão, desconectar-se seja lá como for pode ajudar - não vale a pena manter sua mente focada em negatividades, nada justifica a sua auto destruição interna.

Mantenha sempre viva a chama que existe dentro de você lutando por algo que realmente importe.


"Um momento de paciência pode evitar um grande desastre; um momento de impaciência pode arruinar toda uma vida. 

Sempre que pensamos em mudar queremos tudo o mais rápido possível. Não tenha pressa pois as pequenas mudanças são as que mais importam. Por isso, não tenha medo de mudar lentamente, tenha medo de ficar parado.

Se você quer um ano de prosperidade, cultive trigo.
Se você quer dez anos de prosperidade, cultive árvores.
Se você quer cem anos de prosperidade, cultive pessoas.

Quando o olho não está bloqueado, o resultado é a visão.
Quando a mente não está bloqueada, o resultado é a sabedoria,

Quando o espírito não está bloqueado, o resultado é o Amor."

~Provérbio Chinês

domingo, 21 de setembro de 2014

Brasil : Desvio de Foco


Esse exagero da midia em ficar repetindo incessantemente a matéria sobre a garota que xingou o Aranha e sua respectiva punição é na verdade um desvio de foco nocivo à população.

É óbvio que o racismo deve ser coibido.

O fato é que por trás disso existe uma característica não muito louvável, mas que é inerente ao ser humano que é a necessidade de assistir a punições de terceiros, como uma certa forma de catarse emocional que o faz "lavar sua alma".

Na antiguidade tais instintos eram considerados naturais, tanto que por exemplo os imperadores romanos para saciarem esta sede do povo ofereciam sempre "shows" de gladiadores, massacre de cristãos em arenas, etc.

A mídia se prevalece disso para focar exageradamente em incidentes onde há supostos culpados a serem punidos, e vítimas a serem "vingadas" através de tais punições.

Assim a população em grande parte esquece o entorno e a podridão da conjuntura em que vivemos e de algum modo já se satisfaz.

Enquanto isso, o Lewandowski tomou posse como presidente do supremo, a Dilma já começou o famoso discurso do nada sabe a respeito do esquema de corrupção na Petrobrás, e ainda subiu nas pesquisas.

E o gado continua no seu pasto...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Miragens


O sol reinava nos céus. Seus intensos raios de luz transpassavam as nuvens esparsas e atingiam o solo impiedosamente. O vento batia forte, mas a sensação de calor era extrema.

Caminhava descalço pelas areias do deserto. Estava com fome, sede, respirando com dificuldade devido ao ar abafado. Meu corpo queimava, cansado, mas continuava andando, sem destino, fugindo do marasmo do dia a dia.

O cansaço pedia que sentasse, me hidratasse. Mas não, isso pra mim não era relevante. Na verdade eu não sentia nada, apenas um vazio no meio do vácuo. Estava completamente desconectado do mundo, e de mim mesmo. Minha mente pairava, sem foco. Imagens aleatórias surgiam e desapareciam. Até havia esquecido que estava vivo, e que já estive um dia.

Aquela necessidade de caminhar, seguir em frente, já tinha deixado de ser racional. Era apenas como um instinto inconsciente de sobrevivência inerente a um animal. Por algum motivo eu tinha que prosseguir.

As horas passavam, mas o calor permanecia rasgante, queimando o meu corpo, dilacerando minha alma. As pernas não estavam mais suportando o peso do corpo. Caminhar cada vez se tornava mais árduo. De repente caí no chão. Levantei. Continuei seguindo o caminho, sem trilhas, no meio daquela imensidão de areia. Lentamente permanecia em movimento. Novamente tombei, e levantei. Até que não consegui mais ficar de pé.

Mas isso não era o suficiente para me fazer desistir. Continuei em frente, me arrastando, suado, com areia grudada em todo o corpo.
Por algum tempo ainda segui em frente, até que meus braços travaram e sentei-me de joelhos no chão.

Aquilo parecia ser o fim. Minha visão já estava turva. Olhei ao redor, e nada. Deitei e apaguei. Acordei, e adormeci algumas vezes, imerso no nada.

De repente abri os olhos, a imagem não estava nitida, mas avistei no horizonte um campo verde, florido. Tal imagem parecia ser tão real que me deu um último suspiro para levantar-me. Com alguns vestígios de consciência batendo à minha porta peguei a garrafa d'água que carregava e pinguei as últimas gotas que ainda restavam na boca.

Segui na direção do campo, com ansiedade, sem acreditar muito naquela visão. Em alguns minutos já estava lá. Toquei com os pés aquela grama verde, molhada. Um pouco mais a frente havia um lago azul. Fui até ele e mergulhei. Aquela água gelada refrescando meu corpo quente, queimado, me deu um indescritível prazer. Naquela região tudo estava diferente. O clima mais ameno, úmido, o ar mais fresco, até os raios de sol tornaram-se agradáveis.

Aquelas lindas flores, coloridas, me fizeram voltar a sonhar. A consciência acordou, todo o meu cansaço desapareceu, uma forte energia vital voltou a circular no meu corpo, na minha alma. Logo comecei a refletir sobre a vida...

Pensei que mesmo no núcleo do limbo, da monotonia, pode surgir algo diferente, vibrante, que toque nosso coração fazendo-o voltar a ter razões para bater mais forte, contanto que não deixemos de acreditar. O amor só consegue nos alcançar se estivermos com o coração aberto para recebê-lo. Acreditar e amar nos faz permanecer vivos. Entregar-se a uma vida vazia, repetitiva, dentro de uma rotina diária, sem sentimentos fortes, é desistir de viver.

Acordei.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Em Busca da Luz



O dia amanheceu. Toda aquela certeza que parecia claríssima na noite anterior desvaneceu. Me sentia perdido, sem saber o que achar, o que fazer. Desisti de pensar. 

No fundo eu até sabia, mas não queria mais saber. Mas sabia o que ? Tudo, ou nada ? Sabia e sentia muito, mas isso não importava mais. Pelo menos naquele instante, naquele minuto. Talvez no minuto seguinte tudo poderia mudar, girar, e mudar. Subir, descer, andar pra frente, ou pra trás.

Os sentimentos dentro de mim tornaram-se indefinidos. Pelo menos ainda existiam, e com muita intensidade, mas se foco. Estavam completamente dispersos, mas vibrantes, próximos do seu ponto de ebulição. Toda essa vibração me alimentava, mesmo no meu mundo surreal. Eu não admitiria mais viver sem isso, no vazio, mesmo na leveza, a que fatalmente me levaria à nulidade em um curto espaço de tempo. Eu não suportaria mais viver na nulidade.

Era preciso prosseguir, sempre. Viver.

Resolvi desconectar da minha consciência e deixar o vento me levar. Comecei a andar sem rumo pela orla do mar. Imagens começaram a passar rapidamente na minha mente, como um filme, revivendo os momentos, com detalhes, até mesmo as batidas do meu coração. Os últimos dias haviam sido como um caldeirão de certezas, incertezas, e emoções. Tudo aquilo ficará guardado para sempre na minha alma. Nosso primeiro contato, o primeiro toque, as poucas palavras que trocamos, o primeiro beijo, os encontros, fugas e reencontros. E a forma que nos afastamos no último encontro, depois de momentos tão lindos. Mesmo o afastamento não deixava de ser bonito, mas triste. A vida não é como uma novela que acaba quando termina o último capítulo. Sempre há o dia seguinte, onde tudo pode mudar completamente, ou não. São as incertezas que nos inspiram, fazendo lutar pelos maiores desafios, e construir as artes mais genuínas.

Quando voltei do estado de imersão notei que estava passando pelo local onde nos encontramos pela primeira vez. Senti uma leve esperança de encontrá-la, mas não a vi. Pensei então em ir até as pedras. Segui o caminho pela areia, com a água do mar tocando os meus pés, molhando minha roupa. Aquela água fria refrescava meu corpo, que naquele momento estava fervendo.


Subi as pedras, mas dessa vez com a esperança reduzida. No fundo eu sabia que ela não estaria lá, pelo menos hoje. E não estava. Procurei por toda parte, e nada. Eu sabia que os nossos tempos ainda não haviam chegado. Sentei então na pedra onde nos vimos pela última vez. Olhei para o mar, e chorei.