sexta-feira, 15 de julho de 2016

Penumbra


Passados 380 dias de penumbra eu já não sabia mais o que era real, surreal ou ilusão.

Com os olhos entre-abertos, semi-conscientes, minha mente pairava entre mundos indefinidos. Na impetuosa batalha do dia a dia, a entrega de corpo e alma à guerra tornou-se mais relevante do que a causa e seus próprios fins. Lutar por lutar, rechaçando o nada, em um mundo ilusório, perseverando incansavelmente na busca por uma quase inatingível e volátil vitória, obstruindo um abismo no espaço.

O ser interior urge pela vida, nas entrelinhas do implacável espaço-tempo, onde a nossa instância só consegue avançar em rumo à entropia. Nessa jornada sem volta somos sucessivamente convidados pelo inconsciente a penetrar em um suposto universo de sonhos e perfeição, contrapondo-se ao medíocre modelo virtual da realidade.

Somos inseridos em uma conjuntura hermética, trancados em celas invisíveis que nos fazem subsistir e sobreviver, alimentados por conta-gotas de pequenos prazeres e inspirações, sempre na expectativa de um futuro idealizado. E assim o tempo passa, a vida passa, e o sistema permanece vivo e nutrido.

Permanecer na penumbra dói menos, mas perde-se a consciência do verdadeiro eu, não linear, insólito, irreverente, criativo, que anseia pela vida.

Para migrar entre mundos é necessário romper as correntes e conectores que nos prendem e programam a mente com regras, dogmas, axiomas e paradigmas, libertando-nos para uma nova perspectiva de existência. A forma e duração deste processo depende de cada um.

A interface entre as duas perspectivas é uma barreira aparentemente impenetrável. É como se um indivíduo em quarto aquecido, protegido de um duro inverno tivesse que mergulhar no lago congelado. Mas cada um tem o seu tempo, ou até mesmo a possibilidade de voltar atrás enquanto for possível.

Findados os tempos de penumbra, resolvi tentar. Do meu jeito, no meu tempo.




“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” 

“Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados.” 

~Mahatma Gandhi

terça-feira, 30 de junho de 2015

Leis x Liberdade


Não se pode criar leis opressivas que atingem todo o povo para coibir ações indevidas de minorias! A liberdade é um direito natural do ser humano desde a sua origem, e deve ser sempre preservada!

Tal situação é uma tendência no Brasil. Alguém comete um delito, e logo criam leis ou multas globais que prejudicam e oprimem a população como um todo, apoiados pela mídia para facilitar o convencimento do povo.

Para o governo isto é excelente, dado que geralmente tais leis quase sempre decorrem na aplicação de multas, que aumentam a arrecadação do governo, e por conseguinte dos políticos.

E o pior de tudo, a população absorve o cerceamento progressivo de sua liberdade passivamente, e muitos ainda apoiam e aplaudem tais ações.

Tais leis opressivas deveriam focar somente em medidas para coibirem a violência física, assassinatos, assaltos, esfaqueamentos, sequestros, enfim, impedirem os marginais a continuarem agredindo o povo diariamente, independente de sua idade.



ACORDA BRASIL!


The only way to deal with an unfree world is to become so absolutely free that your very existence is an act of rebellion. ~Albert Camus

They who can give up essential liberty to obtain a little temporary safety deserve neither liberty nor safety. ~Benjamin Franklin


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Falta de FOCO


Embora o Brasil seja um país de forte potencial econômico, infelizmente estamos afundando. Na minha visão o problema vem mais de baixo, da nossa cultura e origem, e assim muitas vezes acabamos colocando no poder políticos incompetentes, burros ou mal-intencionados.

O povo não sabe dissernir o que é essencial e supérfluo diante do cenário atual, e o governo se prevalece disso. É fato que não há os recursos necessários para resolver 100% dos problemas do país. Dada a atual conjuntura é fundamental haver FOCO, atacando prioritariamente os problemas mais críticos, deixando para depois o que não é essencial.

Eu vi um filme esses dias que achei espetacular - O Jogo da Imitação, onde o líder do projeto tem a consciência de que para obter um resultado significativo com a nova descoberta é necessário ter uma visão mais global do que local, respeitando dados estatísticos, e muitas vezes admitindo certas baixas porém visando a vitória final a qual pouparia um número absolutamente maior de vidas.

Todos sabemos o que é mais crítico hoje em dia e afeta o povo como um todo: saúde, educação, segurança pública, saneamento básico e uma economia estável que permita uma condição de vida mais satisfatória. E o que vemos ? Um governo utilizando recursos públicos ao seu critério, visando prioritariamente o aumento da sua arrecadação / ganho de votos / apoio político / engrandecer o seu ego.

Essa tendência do governo é global, tanto a nível federal, estadual ou municipal. Por exemplo, no Rio de Janeiro estamos passando por problemas de segurança e saúde gravíssimos, enquanto isso vemos o prefeito fazendo obras supérfluas, faraonicas, derrubando enorme viaduto para fins estéticos, comprando placas de trânsito de 25.000 reais cada. Além disso em iniciativa conjunta com o governo do estado alocam inúmeros profissionais diariamente em uma operação grandiosa para a realização de blitz de fiscalização de trânsito e multagem desenfreada.

Tudo isso na visão de uns e outros pode parecer lindo, correto, eficaz, ainda mais com o apoio diário da mídia na TV e jornais. E assim uma parte significativa do povo acaba por aceitar a tudo isso e dar amém para o governo.

Enquanto isso vemos filas homéricas e mortes frequentes por falta de atendimento médico em hospitais públicos, pessoas sendo assassinadas, esfaqueadas, assaltadas nas ruas, ou morrendo esquecidas em sua insignificância.

De um lado você é violentado por criminosos; de outro, pelo próprio governo, sendo fiscalizado incessantemente, oprimido, obrigado a submeter-se, rebaixar-se, humilhar-se, a seguir regras ultra rigorosas, tendo sua liberdade cerceada, mas sem uma contra-partida em troca. Andamos em ruas inseguras, perigosas, cheias de buracos, correndo riscos diários. E o que o governo nós dá em troca ? Desapropriações, multagem, blitz, radares, opressão, punições. Estamos sempre no meio, apanhando das duas pontas.

Faz sentido isso ? É óbvio que não! Só se pode investir ou focar em realizações supérfluas quando o essencial estiver satisfatório. Caso contrário ou é burrice, falta de inteligência, de visão, ou pelo contrário, articulação do governo para sugar mais o nosso $, focando naquilo que o interessa  dando-o mais retorno pessoal ou político.

Enquanto não houver FOCO absoluto naquilo que o povo precisa de fato, nunca teremos nada de forma efetiva, mas apenas pequenas ações dispersas do governo para maquear o cenário e nos iludir.


"POLÍCIA PARA QUEM PRECISA DE POLÍCIA!"


"The world is not dangerous because of those who do harm but because of those who look at it without doing anything." ~Albert Einstein


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sinais


Algum tempo se passou. As lembranças do passado recente iam e vinham, mas a sequência do dia a dia me fazia com que procurasse acreditar, ou ao menos me conformar, que esta poderia ser uma forma satisfatória de seguir em frente. Alguns dias achava que sim, outros não.

Aparentemente poderia parecer que estava em equilíbrio. Quando tenta-se colocar um objeto sobre uma base pontiaguda, um vento um pouco mais forte pode tombá-lo.

Porém pertencemos a um universo dinâmico, fortemente interativo, que se em algum momento abrirmos os olhos iremos perceber uma natureza viva e brilhante ao nosso redor, nos instigando a cada instante a viver intensamente.

Diante de tal situação a tendência é ocorrerem diversas situações de sublimação e catarse para atenuar aquela energia interna, contida, que se não é liberada pode levar à implosão. E assim aquele equilíbrio instável pode ser mantido, pelo menos temporariamente.

Com o passar do tempo vai se tornando mais difícil manter o objeto estável. É necessária uma energia incessante para manter algo que não esteja naturalmente em equilíbrio naquela posição, e isto pode levar à exaustão. Ou o indivíduo passa a viver como uma máquina, em modo automático, esquecendo que está vivo, ou passa a questionar a validade de tudo isso.

Aquelas imagens brilhantes do passado na verdade nunca se apagaram. De tudo que passou pelo menos teria ficado para sempre uma esperança, mesmo que longínqua, de uma nova perspectiva de existência, mesmo que apenas no mundo dos sonhos.

Em uma noite de devaneios voltei a abrir os olhos, o meu coração, e saí por aí sem destino. O céu estava escuro, nublado, com uma lua tímida e poucas estrelas, pequenas, quase sem brilho. Caminhei na direção das pedras onde batia um mar agitado, intenso.

Ao chegar em uma área de pico, diante do mar, na escuridão da noite, fechei os olhos ouvindo o forte som do mar batendo nas pedras. Deixei que a brisa fria refrescasse meu rosto, meu corpo, minha alma.

A escuridão da noite e o mar estavam me transmitindo a energia que tanto precisava naquele momento. De repente senti como se tivesse acordado de uma longa noite de sono, sem sonhos. Eu estava ali, vivo, sentado, mas sem diretrizes.

Abri os olhos. O céu continuava nublado, escuro, mas havia uma nuvem que parecia estar em movimento. Lentamente ela ia deixando transparecer uma área límpida do céu, até surgir bem na minha frente uma linda estrela, singular, que se destacava das demais pelo seu brilho e esplendor.

Fiquei então a observá-la, sem sentir o tempo passar. Aquele brilho ia me tocando cada vez mais forte. De certa forma eu precisava voltar a acreditar e a querer viver, mesmo diante de tantos obstáculos. Eu não conseguia mais parar de olhar para aquela estrela.

A aurora começou a surgir, o brilho da estrela passou a misturar-se com o do sol, até desaparecer na claridade do dia. Mesmo estando oculta, sua imagem me marcou para sempre.

No momento em que eu mais precisava o universo me enviou um sinal, um presente, uma luz. A cada noite que nasce olho para o céu em sua busca. Alguns dias ela está lá, brilhante, aparentemente tão próxima, mas ao mesmo tempo distante. Ainda assim, ela me fez voltar a sonhar.

domingo, 21 de junho de 2015

Carpe Diem

De repente parece que o tempo parou. A poeira se assentou e de certa forma procurei bloquear o forte vento que batia nas janelas para evitar o retorno ao caos.

Na verdade o que é o caos ? As posições relativas dos objetos geram interpretações que diferem de acordo com quem os observa. Para uns pode parecer caótico, enquanto para outros harmonia.

O ser humano é capaz de adaptar-se a contextos desfavoráveis, porém de alguma forma aquilo irá ferí-lo internamente. Tais feridas geram marcas, muitas vezes difíceis de apagar. O nosso maior inimigo é o tempo. Na verdade tudo passa, os bons e maus momentos, a alegria e a tristeza, a possibilidade e vitalidade para realizar aquilo que sonhamos, e enfim, a própria vida.

Viver ou não viver ? Grande parte das pessoas optam por não viver. Tal decisão nem é consciente. Estamos sempre atrelados a diversos aspectos que nos prendem ao contexto em que vivemos. Mudar é sempre algo à princípio muito difícil, principalmente quando afeta pessoas, ou a nossa rotina estabelecida.

Se o indivíduo procurar ouvir ao seu Eu interior, sem preconceitos ou defesas, com total sinceridade para si mesmo, irá começar a compreender a si próprio. Quando a vida parecer que corre no tempo, passando rapidamente diante dos olhos, e de repente olha-se para trás e percebe-se que quase nada ocorreu, significa que ela não foi vivida intensamente como deveria ser.

Embora muitas vezes nem cheguemos a perceber, o universo conspira em nosso favor através de acontecimentos ou estímulos. Temos apenas que acreditar com energia positiva na perspectiva de um futuro melhor. Quando estamos perdidos em um mundo preto e branco ele sempre nos mostra opções. De repente, quando se menos espera pode surgir diante de você algo que traga cores à sua vida. Porém cabe a cada um decidir o seu próprio caminho. Ninguém pode defini-lo por nós mesmos.


~ Carpe Diem! ~


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Shutdown


Truman vivia em um mundo fictício, irrreal, onde todos sabiam a verdade, menos ele. Tudo parecia perfeito, mesmo quando imperfeito, como uma ficção da vida real em um reality show. Até o dia em que Truman resolveu transcender e ampliar o seu horizonte, destruindo o mini mundo de ficção, e começando uma nova vida no mundo "real".

O meio em que o individuo é criado sempre oferece diversos estímulos e perspectivas de caminhos. Ainda assim há sempre a possibilidade de mudar de meio, ou de mundo. Descartar ou considerar velhas ou novas opções, e assim permanecer na sua ficção, ou desbravar novos mundos.

Uma característica intrínseca ao ser humano é a tendência a nunca estar completamente satisfeito com o seu contexto de vida, levando-o sempre a querer algo a mais ou a menos, novidades, mudanças.

Enquanto acreditar e buscar de forma determinada por algo supostamente maior, melhor, ou pelo menos diferente dentro de sua concepção, há energia vital, força interior, fazendo o individuo brilhar por estar vivo.

Porém entregar-se à rotina infinita do dia a dia, cíclica, inabalável, sem a esperança de crescer, evoluir, mudar ou emergir faz com que o brilho se apague e inicie o processo de desligamento, pouco a pouco, até atingir o seu shutdown.

O nosso corpo não pode ser visto como um objeto isolado, mas como membro de uma grande comunidade que habita o planeta. O planeta tem recursos limitados, os quais não devem a princípio ser desperdiçados.

A criação é perfeita no sentido de buscar naturalmente um equilíbrio de seres e recursos. Sendo assim, quando um ser começa a "parar", entregando-se ao nada ou a uma vida vegetativa, o seu corpo também tende a parar pouco a pouco, definhando, do cérebro aos pés, reduzindo o consumo daquilo que não está mais sendo utilizado.

Sempre existe chance para tentar reverter este processo de desligamento natural, mas quanto mais demorar a iniciá-lo mais difícil será a recuperação, assim como aqueles objetos que deixamos de lado tendem a estragar ou enferrujar, e às vezes de forma irreversível.


sábado, 14 de março de 2015

Império : Mensagem Final


Minha opinião sobre o último capítulo da Novela Império:

Decepção - é isso que ficou após o último capítulo dessa novela, que tinha tudo pra marcar positivamente, transmitindo sentimentos de alegria e esperança de um futuro melhor para o povo de um país que está caminhando para o fundo do poço.

O autor mostra que não adianta lutar, fé, oração, energia coletiva para um desfecho feliz, mas o que conta é a misantropia, o fracasso do ser humano como raça. O filho matando o próprio pai por vingança, mágoa e ambição.

Além de tudo isso, como um homem rico e inteligente como o protagonista iria ao encontro dos seus inimigos apenas com 1 segurança. Pior, depois de ainda assim vencê-los ele dá as costas ao seu suposto inimigo sem revistá-lo nem amarrá-lo.

Só me resta lamentar por um fim que tinha tudo para marcar positivamente, mas terminou como mais um exemplo de fracasso, de um homem que luta a vida inteira para vencer na vida e acaba derrotado. 

A Globo ao invés de transmitir conceitos positivos continua insistindo em mostrar péssimos exemplos e podridão.

Lastimável...